Marquinho no mar, aventuras com meu amigo Guga, pai dele tinha uma Fighter 33, Carbrasmar, localizada numa marina no canal de São Vicente. Isso há mais de 30 anos, atualmente o pai faleceu e deixou muitas boas lembranças. Nós éramos crianças quando participávamos dessas aventuras, mas marcou minha vida que até hoje conto histórias para meus amigos. A maioria foram de coisas que hoje em dia os pais não deixariam seus filhos fazerem. Ficar na proa da lancha em movimento é uma delas, não tínhamos idéia de perigo e o que poderia acontecer caso pegasse algo no caminho. Mas essa época foi uma das melhores que passei na infância.
Uma das boas lembranças foi quando dormimos no barco passando uma noite na Ilha Bela, litoral norte de São Paulo. Nunca tinha fiquei tanto tempo no mar, na hora de dormir só lembro da cama ficar balançando pra lá e pra cá. Foi uma experiência nova, quando estava no mar gostava de ficar próximo do “parcel” onde tinha muitos peixes grandes. Tipo garoupa entre outros que não lembro. A parte mais complicada de estar próximo das pedras e árvores eram os borrachudos. Que viviam atrás do nosso sangue bão e acostumar com o barco balançando praticamente 48horas, mas depois acostuma.
Aventuras no mar
Uma das ilhas que fomos algumas vezes era a “Ilha Queimada Grande” a cerca de 35km da costa de Peruíbe e Itanhaém, conhecida perigosa. Também chamada de “Ilha das Cobras” o nome já fiz pelo nível de dificuldade. Era possível de enxergar algumas cobras nadando próximo das bera em alguns pontos da ilha, eu mesmo não vi. Já que estava mergulhando perto das pedras sem me preocupar com nível de periculosidade. Graças a Deus nunca tive nenhum problema com picadas de cobras, mas já passei por perto algumas vezes fazendo trilhas no mato ou até mesmo no quintal da chácara.
Conteúdos pelo Chat
O principal motivo é a jararaca-ilhoa (Bothrops insularis), uma serpente que só existe naturalmente nessa ilha. Ela ficou isolada do continente há milhares de anos e, ao longo desse período, evoluiu de maneira bastante diferente da jararaca continental.
Uma das adaptações mais interessantes é seu comportamento arborícola: a jararaca-ilhoa passa bastante tempo em árvores e se alimenta principalmente de aves. Mas isso é importante porque praticamente não há pequenos mamíferos terrestres disponíveis na ilha como fonte de alimento.
Um laboratório natural de evolução
A Queimada Grande é extremamente interessante para a ciência porque funciona quase como um laboratório natural de evolução.
Quando o nível do mar subiu no final da última era glacial, a antiga ligação com o continente desapareceu. Uma população de serpentes ficou isolada sem fluxo genético significativo com as populações continentais. Milhares de anos de seleção natural e deriva genética contribuíram para o surgimento das características próprias da jararaca-ilhoa.
É um exemplo brasileiro muito didático de especiação por isolamento geográfico.
Existem realmente tantas cobras?
Sim, mas alguns números que circulam na internet são bastante exagerados. Uma pesquisa citada pelo Instituto Butantan estimou cerca de 3 mil serpentes na ilha, que possui aproximadamente 430 mil m². Isso dá uma concentração extraordinária de serpentes para uma área tão pequena. E não são todas jararacas-ilhoas: também existe na ilha a dormideira Dipsas albifrons, que não possui importância médica comparável à jararaca-ilhoa.
Dá para visitar?
Para uma pessoa comum, não é um destino turístico. O acesso é restrito e as expedições científicas precisam de autorização. O motivo não é apenas o risco das serpentes: a restrição também é fundamental para preservar uma espécie endêmica e ameaçada e seu habitat.
Pesquisadores do Instituto Butantan fazem expedições à ilha justamente para estudar a biologia, reprodução, comportamento, ecologia e conservação da jararaca-ilhoa.
E tem uma história interessante
A ilha também tem um farol, construído para auxiliar a navegação. Seu passado envolve histórias de queimadas, naufrágios e até lendas de tesouros — daí surgirem várias histórias populares sobre a “Ilha das Cobras”. O próprio Butantan documenta algumas dessas curiosidades históricas.
O mais fascinante, para mim, é que a ilha não é simplesmente “uma ilha cheia de cobras perigosas”. Ela é um pequeno pedaço de Mata Atlântica onde o isolamento produziu uma espécie que não existe em nenhum outro lugar do planeta. Se quiser, posso entrar em uma parte ainda mais interessante: como é uma expedição do Butantan dentro da Ilha da Queimada Grande e como os pesquisadores conseguem capturar/manusear as jararacas-ilhoas sem serem picados.
